Abstinência é a palavra que descreve
bem o que nós fãs de Euphoria estamos sentindo e nada mais animador que saber
da existência de um episódio especial. Devido a pandemia do Covid 19, as gravações
da segunda temporada do show tiveram que ser suspensas, nos deixando órfãos,
contudo, não tão órfãos.
Demorei um pouco para assistir a esse
especial, um porque eu estou sempre maratonando outras coisas quando algo novo
é lançado, dois porque eu me lembrava muito pouco dos fatos que ocorreram na
primeira temporada do show. Muito disso se deve ao fato de eu ter assistido em
meados de Julho/Agosto do ano passado (2019), devorando os oito episódios
iniciais em apenas um dia. Mas tudo bem, fiz o "sacríficio" de
assistir à temporada completa novamente apenas para conseguir me situar na
série. Rs...
Uma produção original da HBO, criada
por Sam Levinson (Assassination Nation), a série nos traz um grupo de jovens
que enfrentam dilemas relacionados à relacionamentos, sexualidade, drogas,
saúde mental e busca pela identidade, uma série com um tema comum, contada de
um jeito único.
O elenco é miscigenado, a série tem
muita representatividade, desde negros, latinos até uma personagem transexual.
A produção é maravilhosa, logo no início da temporada nos deparamos com uma das
cenas mais deslumbrantes já feitas, a cena em que a Rue (Zendaya) acaba de usar
droga em uma festa e como se ela estivesse presa em uma caixa ela começa a
cair, e conforme ela vai caindo, a parede vai virando o chão, o chão a parede,
é uma cena claustrofóbica, mas também deliciosa de se ver. As atuações são excepcionais, levando a protagonista
a ganhar o tão almejado Emmy de melhor atriz em série dramática desse ano, uma
conquista e tanto para uma atriz que até há pouco, estava fazendo série
infanto-juvenil na Disney Channel.
A maior virtude de Euphoria, no
entanto, é a ousadia de não ter medo de se comprometer e colocar as mãos na
sujeira tratando de temas mal vistos pela sociedade, como pedofilia, e outros tão
presentes quanto o oxigênio que respiramos, mas quase sempre ignorados como a transfobia,
gordofobia, misoginia, relacionamentos abusivos e masculinidade tóxica.
Sem muitos delongas a respeito da
primeira temporada, o que está em pauta realmente é o quão profundo e significativo
esse episódio especial é. Apesar de não ter relação direta com a primeira ou segunda
temporada, podemos sim dizer que esse episódio irá influenciar o que está
prestes a vir na série.
Numa versão mais sutil e recatada,
temos na quase uma hora de capítulo a presença de Rue e Ali (Colman Domingo),
em um café, conversando sobre as dificuldades da vida nas drogas. O episódio
consiste basicamente nisso, em um diálogo longo e franco, entre um ex-drogado e
sua pupila.
O episódio começa com uma ilusão oriunda
da mente alterada de Rue, onde ela e Jules (Hunter Schufer) estão morando
juntas, mais apaixonadas que nunca, entregues de corpo e coração uma a outra,
contrastando com os fatos ocorridos no final da temporada anterior, que é
exatamente o término do breve relacionamento delas. Mas logo somos situados à verdadeira situação
da personagem, onde ela está usando drogas no banheiro do café e retorna ao seu
assento para prosseguir no encontro com Ali.
Ao longo do encontro descobrimos que
eles estão na noite de Natal, Rue está um caco com a partida abrupta de Jules
para Nova York e desconsolada decide ligar para o amigo, mais por necessidade
que realmente por vontade, sendo que tudo o que restou à ela foi a amizade com
Ali. Esse é o ponto em que a série acertou em cheio, a conversa deles é
profunda na medida certa, não tem pieguice, eles falam sobre a vida, sobre a morte,
sobre a culpa que sentem pelos erros que cometeram, o que tiveram que passar
para chegar ali.
Não vou negar que caí no sono
assistindo ao episódio, tendo que voltar alguns minutos assim que despertei. Gente,
é mais de um ano de hiato, pela ânsia que eu estava sentindo, é óbvio que eu esperava
algo com mais movimento, esperava, de repente ver todos aqueles personagens
pelo qual me apaixonei, onde estariam todos?
Não foi o que aconteceu, obviamente devido às circunstancias que estamos
vivenciando por causa do Coronavírus, entretanto, poderiam ter feito algo
maior, séries como This is us e Grey’s Anatomy estão sendo gravadas
normalmente, a verdade, é que do primeiro segundo ao último tudo o que foi
mostrado foi exatamente proposital, eles queriam algo minimalista, reflexivo e
dizer que não obtiveram êxito na empreitada seria hipocrisia de minha parte.
Em suma, quando você entende a essência
do episódio, tudo corre de maneira satisfatória.
Apesar da ociosidade, me emocionei em
muitos momentos, chorei, principalmente quando Rue alega se considerar uma
pessoa ruim por tudo o que havia feito a sua mãe e família sofrerem, fazendo
Ali confessar que também havia tomado atitudes questionáveis em sua vida, mas
que era necessário deixar todas essas coisas no passado e se perdoar. Também
descobrimos muito sobre o passado dele, sua família e suas frustrações.
Outro gancho para a segunda temporada é
o fato de Jules ter sido uma relevante pauta da conversa e ao fato de deixarem
claro à Rue que para que ela consiga se recuperar dos vícios será necessário de
desvincular de qualquer tipo de relação e distração que possa vir a
atrapalhá-la em seu desempenho no tratamento. Seria esse o final iminente de
Rules?
Trouble don’t last always, foi liberado
no HBO GO no início de Dezembro aqui no Brasil, (nos EUA é HBO MAX), dias antes
de ser transmitido na televisão, deixando nítido a jogada de Marketing em cima
do fenômeno que se tornou Euphoria.
O segundo episódio especial está
previsto para o dia 24 de Janeiro, e o coração está como? Acelerado, ou melhor,
eufórico! Rs...
E vocês, quais sãos as teorias para os
próximos episódios?
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