Breaking Bad adolescente? Com um nome bastante incomum, Como
vender drogas online (rápido) é a mais nova (desde 2019) produção original Netflix alemã.
Depois de Dark (2018-2020), promete ser a principal representante da Alemanha
na plataforma de streaming.
Co-criada por Philipp Käßbohrer (Das Problem des
Schnellstflugs) e Matthias Murmann, a
série nos apresenta à Moritz Zimmermann (Maximilian Mundt), um adolescente de 17
anos que após o período de um ano de intercambio de sua namorada Lisa Novak
(Anna Lenna Klenke) para os E.U.A decide traficar drogas MDMA virtualmente para
reconquistá-la, sendo que ela volta diferente e viciada nas famosas balinhas de
êxtase.
Por se tratar de uma série compacta assisti as duas
temporadas em apenas um dia. E farei uma breve análise evitando ao máximo
entregar aqui as cerejas do bolo.
A primeira temporada se encarrega de mostrar como é
desenvolvido esse lado ousado do protagonista que com o término de seu namoro
não mede esforços e rackeia o celular de sua amada para descobrir o que houve
com ela enquanto esteve fora. Ao entrar em seu Instagram se deparada com
diversas fotos privadas e arquivadas da menina ingerindo a droga. No colégio um menino novo quase
perfeito, Dan Riffert (Damian Hardung) faz amizade com Lisa pelo fato de ser
traficante e desperta ciúmes em Moritz que junto com o seu melhor amigo Lenny
Sander (Danilo Kamperidis) criam esse Ebay de drogas chamado Mydrugs fazendo
alusão à empresa anterior que eles estavam criando a Mytems.
A série parte de uma premissa um pouco perigosa ao relacionar
adolescentes e drogas que chega a ser irresponsável na maior parte das vezes. O
perigo aqui não mora no lugar em que o protagonista se enfia no mundo das
drogas e sim no ponto em que na maior parte das situações ele simplesmente sai
ileso, como se tudo estivesse compensando e ele fosse invencível ou quase isso,
ganhando dinheiro e fama, e não se mantendo fiel ao real mundo das drogas em
sua maior parte.
Em alguns pequenos pontos a série acerta e coloca empecilhos
à Moritz, como o fornecedor de drogas Buba que descobre o plano megalomaníaco
dele e o obriga a deixá-lo fazer parte do projeto, de fato, Buba é uma grande
de uma dor de cabeça para os meninos. Outro ponto interessante da história é o
pai de Moritz que é um policial, estabelecendo assim um grande paralelo de ambiguidades entre o laço pai e filho. Mais parecida com a história de Walter White (Breaking
Bad 2008-2013) impossível, a diferença é que no caso de Walter era o seu
cunhado que era da narcóticos.
Outra coisa bem Breaking Bad é a maneira como ele sempre consegue
dar um jeito e escapar com suas mentiras, nos segundos finais da primeira
temporada (1x06), por exemplo, uma questão é deixada no ar, que posteriormente descobrimos
que não leva a lugar algum. A genialidade parece transformar homens com o QI
elevado em traficantes rs...
Minha reação a essas reincidentes escapatórias foi bastante
compreensiva pelo fato de estarmos falando de uma primeira temporada, é de se
esperar que nada tão agravante ocorra em respostas aos atos do personagem.
Por outro lado temos uma segunda temporada que traz um material
mais maduro, responsável e tangível, com um nível de conflitos e consequências maior.
Após se tornar uma grande celebridade clandestina, Moretz é
obrigado a ter que escolher entre o mundo que entrou e o seu amor por Lisa. A
sua relação em casa também se torna mais conflituosa quando o pai Jens
Zimmermann (Roland Riebeling), desconfia que algo está errado com o filho, mas
sem fazer idéia do que possa ser, aleatoriamente pega uma de suas cachorras
farejadoras de drogas ilícitas e presenteia a sua filha caçula e irmã de Moretz,
Marie Zimmermann(Jolina Amely Trinks) com o animal de estimação, isso com todos morando na mesma casa, imagine só,
a partir daí muita coisa acontece! Gosto muito da maneira como tudo é
desenvolvido. Também temos a relação de Moretz com seus amigos e sócios, Lanny
e Dan que vai de mal à pior até uma iminente explosão.
O roteiro em suas duas temporadas mantêm o mesmo ritmo,
frenético, não sei se fazendo alusão às drogas, mas também intenso. As coisas
sempre estão acontecendo, a série não cai no comodismo, conteúdo é que não falta. Amo as partes em que ela é didática, como ao nos ensinar o que é o MDMA, o que são as
criptomoedas, como transformar bitcoins em euros e etc... É louvável o quão
simples ele tornam esses assuntos aos nos explicarem.
O humor peculiar e politicamente incorreto me conquistou e me
remeteu muito ao humor de séries britânicas como Fleabag(2016-2018) e The end
of the fucking world(2017-2019).
Os diálogos muitas vezes são rápidos e extremamente dinâmicos,
são brilhantes, inteligentes e não dá tempo de pensar muito, logo vem o próximo
acontecimento, o que para mim é muito positivo, mantém a série e
consecutivamente nós em movimento com eles.
As atuações também são ótimas, ninguém deixou a desejar nesse sentido e se tiver que escolher um em especial que brilhou mais, é claro que será o ator de Moretz, Maximilian Mundt, esse menino é promissor, ainda escutaremos muito sobre ele.
Se vocês gostam de séries adolescentes, com um humor mais ácido
e ousado, essa série com certeza é para vocês! Ainda não renovada para uma
terceira temporada, mas com muito potencial e coisas em aberto aguardamos
ansiosos pela confirmação da Netflix!
E vocês, já assistiram essa série? O que acharam dos novos
episódios? Deixem o seu comentário!
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