Há quem almeje a imortalidade, a pedra filosofal, o elixir da
vida eterna. Alguns para explorarem o mundo e suas maravilhas, outros para se
sentirem fortes e invencíveis. Há quem queira dar um de super herói, salvar o
mundo e lutar contra injustiças, mas até que ponto a imortalidade realmente é
uma benção, até que ponto viveremos em paz sabendo que começos, meio e fins são
reais, mas não em nossa existência? Até que ponto estamos dispostos a deixar
tudo o que amamos para trás para vivermos na eternidade sem essas mesmas
coisas? Com uma produção promissora e nomes importantes, The old guard é a nova
grande jogada e aposta da Netflix.
Baseado na homônima série em quadrinhos de Rucka e Leandro
Fernández, a história nos apresenta a um grupo de quatro soldados imortais que
são responsáveis por guardar a terra de todo o mal há muitos séculos,
entretanto em uma de suas missões descobrem que foram usados pela CIA e que
precisam se esconder, tarefa que fica difícil ao descobrirem um quinto
integrante.
No elenco temos grandes nomes como uma das minhas atrizes
prediletas, Charlize Theron (Monster, Mad Max), Kiki Layne (Se a rua Beale
falasse), Matthias Schoenaerts (Longe deste insensato mundo), Marwan Kenzari
(Aladdin), Luca Marinelli (A solidão dos números primos), Chiwetel Ejiofor
(Doze anos de escravidão) e Harry Melling (o duda primo do Harry Potter rs).
Dirigido por Gina Prince-Bythewood também responsável por
projetos como A vida secreta das abelhas e roteirizado por Greg Rucka (escritor
de HQs) o filme chegou com tudo na plataforma de streaming entrando no top 10
logo que foi lançado, no dia 10 de Julho.
A sinopse é realmente apreciativa, o trailer nem se fale,
entretanto com um projeto tão gigantesco como esse fica difícil não criarmos
grandes expectativas. Seja dito de passagem que expectativa é uma palavra que
define bem o sentimento quando falamos desse longa e nem tanto por motivos
pessoais, desde o seu início, a história nos prepara para algo grandioso,
existe uma tensão no ar que só filmes hollywoodianos de ação possuem, locações
em outros países, reencontro de grandes soldados para um bem maior, elementos que
fazem nossas cabeças pirarem, todavia infelizmente não é bem isso o que acontece.
O filme cumpre bem a sua parte de introduzir os personagens,
claro que pelo fato de se tratar de seres antigos, poderiam ter caprichado mais
ao nos levarem aos respectivos momentos em que cada um virou imortal, seria
mágico e enriqueceria o filme com cenas medievais, de guerra, dos povos
antigos, como ocorreu em pequenos flashbacks de Andy (Chalize
Theron), esse é um artifício introdutório que eu acho muito legal, porém ao aceitarem a missão da “Cia” e ao
desenrolar do primeiro ato entendemos bem o que eles são.
As atuações estão muito boas como não poderia ser diferente,
todos fizeram a sua parte brilhantemente. Tiveram alguns momentos em que
percebi o enquadramento das cenas meio desfocado do objeto principal, principalmente
no comecinho do filme, mas nada que prejudique a história. A fotografia é limpa
e linda, não poderia esperar diferente vindo de uma produção original Netflix.
O que me incomodou de verdade foi o comodismo em não se arriscarem,
o roteiro é bem linear e ritmado, tem um timing legal para as brigas, e de
fácil compreensão, no entanto quando chega o terceiro ato, como telespectador eu
me vi inconscientemente ansiando por algo maior, algo que fosse à altura de
seus personagens multicentenários e o clímax por mais legal que fosse não me
entregou isso.
Poderiam ter escalado mais atores para lutar contra os
mocinhos, um vilão mais impactante é outro ponto que teria ajudado, querendo ou não, a
escalação de Harry Melling como Steven Merrik, um CEO de uma empresa
laboratorial de remédios que procura o segredo da imortalidade e seqüestra dois
integrantes do grupo não é a mais aterrorizante das opções, não para soldados super
especiais. Uma locação mais aberta possibilitando cenas mais abrangentes e
movimentos expansivos teria sido uma boa decisão também, sim, eu queria exagero
e extravagância, tudo aquilo que fãs de ação gostam! Estou no meu direito rs...
Em síntese, The old guard é um bom filme, um pouco preguiçoso
admito, que promete muito e não entrega tudo o que queremos, mas que também
traz significados muito profundos sobre vida, morte e imortalidade.
Ficou coisa em aberto e em entrevista recente ao site Collider a
diretora Gina Prince-Bythewood alegou que ela e o roteirista Greg Rucka têm o
interesse em prosseguirem com a história e que possuem material para uma
trilogia, contudo até o presente momento nada foi confirmado.
Eu quero ver mais desses personagens e vocês, o que acharam do
filme? Algo a ressaltar? Deixem o seu comentário!
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