Primeiras impressões - Estreia 5ª temporada de The Marvelous Mrs. Maisel

  Dia 14 de Abril, estreou a quinta e última temporada de The Marvelous Mrs. Maisel e o prime video liberou três episódios. Após uma conversa franca com Lenny Bruce (Luke Kirby) no fim da temporada passada, Midge ( Rachel Brosnahan) é obrigada a encarar os fatos, entretanto é tarde demais para voltar atrás e abrir o show de Tony Bennet. Esse é o ponto em que ela percebe que precisa voltar a se mover se realmente deseja prosseguir e ser bem sucedida em sua carreira como comediante. A temporada já começa com uma cena de 1981, de uma garota em uma espécie de terapia, essa garota o roteiro não deixa claro quem é, mas tudo indica ser a filha de Midge porque no segundo episódio vemos uma espécie de documentário onde essa mesma garota ou uma muito parecida com ela está dando entrevista sobre como é ser a filha de Midge Maisel. Eu acho que essas cenas do futuro são muito boas e dá até um aperto no coração de saber que o roteiro está fazendo isso propositalmente para conseguir encerrar ...

Crítica: The morning show, primeira temporada

Em uma época tão intensa e importante em Hollywood como a que estamos passando com o movimento Me too, onde denúncias de assédio sexual estão vindo à tona, o momento de liberarem uma série como The morning show nunca pareceu tão oportuno.

Inspirada no livro Top of the Morning: Inside the Cutthroat World of Morning TV do jornalista Brian Stelter e criada por Jay Carson, também responsável pelo roteiro do filme O favorito, estrelado por Hugh Jackman (2018), a série traz uma crítica sagaz e política à sociedade do estupro, book rosa e misógina, aliás política não parece ser um problema para esse roteirista que antes de se aventurar no cinema e plataforma de streamings já trabalhou para campanhas de famosos políticos como Bill Clinton, Hillary Clinton, Dean Howard, etc. Sim, existe um clima de campanha eleitoral durante os episódios, agitada e frenética, o que não tira o seu mérito, de jeito algum.

A história é sobre um programa de televisão matinal, daqueles bem padrõezinhos com os quais estamos acostumados, onde existem dois âncoras, uma é Alex Levy (Jennifer Aniston - Friends, Mistério no mediterrâneo) e o outro é Mitch Kessler (Steve Carell - The office, O virgem de quarenta anos). Com seus salários milionários e suas vidas rotineiras os mesmos jamais imaginariam que após uma certa madrugada suas vidas nunca seriam as mesmas.

Ao ser denunciado por assédio sexual Mitch é demitido do programa que estava há dezesseis anos, e é aí que entra Bradley Jackson (Reese Witherspoon - Big Little Lies, Legalmente loira), ao se destacar em uma manifestação a jornalista que sempre trabalhou como repórter de jornais locais é viralizada por um vídeo postado no YouTube e logo se torna uma celebridade e é convidada para ser entrevistada por Alex no The morning show. Vendo potencial na garota, um dos produtores decide dar uma chance à novata e de entrevistada Jackson é convidada para se tornar a nova âncora, bem… convidada não seria bem a palavra, só assistindo para entender rs..

A produção da série é incrível, o roteiro bem estruturado do começo ao fim. A fotografia é fenomenal, a iluminação solar, afinal, o intuito principal é remeter o tempo inteiro à sol, dia, manhã, ao programa em si. Não costumo falar de aberturas, mas a abertura de The morning show me conquistou tanto que eu nunca a pulava, ao som da música tema de Benjamin Clementine – Nemesis, confesso deixava rolar todas as vezes.

Ao retratar os bastidores conflituosos de um programa matinal a série nos traz uma realidade interessante sobre esses programas, uma perspectiva de quem só trabalha ou trabalhou no show business sabe e poderia nos conceder. Esse é o verdadeiro segredo do sucesso da série, mostrar o lado obscuro das tão iluminadas programações perfeitas e diurnas e o quão essa indústria, infelizmente é regada à polêmicas, más condutas e abusos que podem nunca chegar aos ouvidos do grande público.

Claro que o trunfo também se deve às grandes e excepcionais atuações, Jennifer Aniston entregou tudo de si e depois de Cake (quem não assistiu a esse filme, termine de ler esse post e corra para ver) é a sua maior atuação, não é à toa que a atriz adquiriu um SAG Awards de melhor atriz em série dramática com o papel, mais que merecido. Esse é um projeto que possibilitou a atriz discorrer e explorar um outro lado do que é ser uma artista, um lado que vindo dela ainda era desconhecido. Inclusive algumas das minhas cenas prediletas são as que ela está presente como a cena em que conseguimos vislumbrar um pouco de seu talento musical no episódio cinco quando ela canta Nothing can harm you, Not While I'm Around, do musical Sweeney Todd e no terceiro episódio em que ela está em uma reunião com os produtores do programa, discutindo e inicia uma duscursso (forte por sinal) dizendo “A América me ama”, sim J, a América te ama desde 1994!

Reese Whitherspoon sempre impecável em todo projeto em que participa mais uma vez fez a sua parte como a genuína e intrigante Bradley Jackson, gente, a Bradley é a minha personagem predileta da série, a cena em que ela discute com o cara na manifestação na mina de carvão no piloto foi sem explicação, entretanto apesar de sua importância eu a senti meio de escanteio em muitos momentos, comentem e me digam se estou delirando ou não.  Esperava muito mais por parte da personagem. Steve Carrell é outro, que conseguiu trazer toda a essência de um homem contemporâneo, estruturalmente machista, aquele que se diz amigão das mulheres, um super esquerdista e apoiador da causa feminista, mas que no fundo quer apenas aquilo... Vocês sabem o que é...

Tanto Reese quanto Jennifer além de protagonizarem também entraram no projeto como produtoras executivas.

Outros personagens secundários como Cory Allison (Billy Crudup – Quase famosos, Watchmen), Charlie Black (Mark Duplass - Creep) e Hannah Shoenfeld (Gugu Mbatha-Raw – Doctor Who) são ótimos coadjuvantes, o primeiro é o charme da série, o produtor que no fundo eu sonhava em ver com Bradley, o segundo é o controlador produtor de Alex, que me irritou desde a primeira vez em que o vi, ele tem aquela tensão e mal humor que incomoda quando a atuação é boa, e a terceira e não menos importante é uma das diretoras e vítimas de assédio da história, impossível não se impactar e emocionar com a história de Hannah.

Com a sua segunda temporada confirmada, The morning show me conquistou pelo seu dinamismo. A série tem vida, história, ritmo acelerado e é isso que prende a nossa atenção, é o mínimo que uma história requer para ser satisfatória.

Com um toque de ironia, crítica social, excelente produção, roteiro bem desenvolvido, elenco de peso, The morning show se consolida e está no meu top dez das melhores séries de 2019 , é uma série original e disponibilizada pela Apple TV.

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