Alerta para spoilers!
O mundo está um caos, primeiro foi o aquecimento global, a
humanidade preocupada com a sua iminente extinção reúne um grupo de cientistas, esses cientistas congelam o núcleo da terra, mas algo deu errado! Do núcleo
aos poucos o gelo foi se espalhando ao redor do mundo inteiro e congelou tudo, até que enfim, a
humanidade precisa encontrar uma maneira de reverter essa situação. O feitiço
literalmente se vira contra o feiticeiro, não há o que ser feito, é tarde demais.
Parece que tudo está perdido, entretanto ainda existe uma esperança, um homem
visionário chamado Wilford projeta um trem-arca chamado Snowpiercer, trata-se de um trem gigantesco com alguns
andares e 1001 vagões. Essa é a única esperança remanescente, porém existe um
grande problema nisso tudo, o espaço é limitado e a prioridade de Wilford sempre
foi salvar quem poderia arcar com os custos do transporte, obrigando muitas
pessoas a entrarem clandestinamente no trem e viverem como ratos e mendigos.
Parece coisa de louco? Não, é só a resenha de O Expresso do amanhã mesmo.
Uma produção inspirada primeiramente nos quadrinhos "Le Transperceneige" de Jacques Lob (sim antes de ter um filme era apenas HQ) e depois do filme homônimo de 2013, dirigido por Bong Joon-ho (Parasita) e protagonizado por Chris Evans (Capitão América -Kvines out). A
nova história agora nos traz Andre Layton (Daveed Diggs – Blindspotting) como o mocinho da história, ex-investigador
e morador do fundo, também conhecido como o lugar em que todos os clandestinos
vivem e em contrapartida temos a “vilã”, a secretária e confidente de Wilford, Mellanie
Cavil interpretada por um grande nome de Hollywood, Jennifer Connely (Uma mente
brilhante, Alita).
Não irei fazer comparações da série com o filme neste post,
pois estou preparando uma publicação apenas para isso e me focarei na série.
O Snowpiercer é divido por classes sociais, os ricos ficam com os melhores vagões, melhores comidas, roupas, etc. A segunda classe são pessoas muitas vezes com formação que prestam serviço a essas pessoas ricas, como professores, médicos e a terceira classe é formada por pessoas que não pagaram para entrar e que exatamente por isso precisam arcar com o custo de suas estadias se sujeitando a empregos mais subalternos de servidão, como empregados e faxineiros. E por último, como dito anteriormente, existem os moradores do fundo, que é um lugar precário e as pessoas vivem de restos como mendigos, eles também são responsáveis por ficarem nos maquinários e portanto conservando os vagões aquecidos.
Ao descobrir que Layton é uma ex-investigador, Melanie solicita a sua saída do fundo para que o mesmo possa auxiliá-la a descobrir mais sobre os assassinatos que estão ocorrendo dentro do trem e manter o equilíbrio e a paz tão prezados pelo Sr. Wilford. Ele é retirado à força do fundo e reencontra a sua ex-mulher Zarah Ferami (Sheila Vand), que agora trabalha no vagão leito, uma espécie de ambiente neutro lá dentro, ou seja, sem classe, apenas um lugar para descontração e relaxamento dos passageiros. A recepção não é das mais calorosas sendo que Layton ainda guarda mágoa de Zarah por te-lo deixado.
No final do primeiro episódio temos a revelação de que na verdade o Sr. W não está dentro do trem e que Melanie Cavill é a verdadeira comandante e responsável por manter a ordem no local. A série não nos dá um veredito de cara, mas para bom entendedor, meia palavra basta. Para mim esse foi um grande potwist utilizado de uma maneira não tão inteligente, essa era uma informação que poderia ter sido postergada. Foi muito precipitado entregá-la de bandeja para o público para uma série de dez episódios. Tudo bem que esse era o maior mistério, quem é o Sr. Wilford? Aonde está o Sr. Wilford? Durante sete anos e o homem nunca apareceu? Contudo, seria um artifício mais interessante terem colocado, nós, telespectadores, sob uma perspectiva de passageiros e deixar a dúvida pairando no ar durante, pelo menos a primeira metade da temporada. Outro deslize por parte dos escritores foi terem exterminado os últimos bovinos do trem em um acidente que ocorre no segundo episódio e simplesmente o assunto é ignorado nos episódios posteriores.
A todo o momento existe a ameaça do fundão se rebelar e pleitear por seus diretos básicos de seres humanos, revolucionar e criar um novo sistema, uma espécie de comunismo onde não existe privilégios, classes, melhor ou pior. Se existe algo que me segurou a ver a série até o fim foi essa possível rebelião, essa é afinal a principal premissa da série.
Agora, olhando em retrospectiva está nítido que os assassinatos que ocorreram foi mais um elemento que os roteiristas utilizaram para mostrar que os ricos sempre irão se safar de quaisquer que forem as situações. Como ocorre com a personagem Lilah Folger ou LJ (Annalise Basso) a menina da primeira classe responsável pelos atos hediondos que estava por um triz de ser aprisionada após a descoberta de Layton, mas que no entanto é solta por saber informações confidenciais acerca do medicamento aplicado nas pessoas que vão para os "caixas" ( lugar onde aplicam uma droga na veias de pessoas criminosas e as deixam desacordadas e que mais tarde descobrimos que nem todas são criminosas)..
À princípio, vendo os pôsteres, trailers e matérias eu realmente gostei muito, me pareceu um tanto quanto promissor. No piloto vibrei a cada instante, as primeiras cenas em animação são lindas, dá para ver que houve uma grande produção por trás. O trem também é muito bem feito, a fotografia cumpre com o papel tendo uma iluminação mais voltada para as cores pálidas e frias.
Mas é exatamente essa palavra que define essa série para mim, fria, literalmente fria. Eu assisti pela Netflix junto com uma amiga minha do trabalho, Andrea, semanalmente, todas as Segundas-feiras à noite para comentarmos na terça, era o dia especial que separávamos para dissertar sobre O expresso do amanhã. O problema é que na maior parte das terças feiras não tinha muito o que ser dito, a série não caminha e quando caminha, abre um caso que é solucionado no mesmo episódio, ou é desenvolvido de uma maneira rasa.
E assim a história segue, semanalmente morna, quase fria, quase congelando, até chegar o episódio oito, em que a guerra finalmente se inicia e para mim, é o que mais me chamou a atenção. Aliás desse episódio em diante, a série ganha um compilado de três episódios de prender a atenção até da sua avó. Nada deixou a desejar, a série finalmente ganhou um movimento. Desde o momento em que Melanie é descoberta como a Wilford e presa pela primeira classe até o ponto em que bastante sangue é derramado.
Em relação aos personagens, poucos me conquistaram de verdade, os atores são bons e cumprem bem com a proposta de atuação de um roteiro mediano, porém não irei me abster de reclamar do protagonista. Se essa não é a série com o protagonista mais sem graça de todos, está chegando lá. Layton não é um cara carismático nem tampouco de personalidade forte ou de presença, ele está ali porque os roteiristas assim quiseram. Por outro lado, Melanie rouba a cena em cada cena que aparece (na medida do possível), sempre com a sua feição tensa e preocupada, sempre paradoxalmente rasa e profunda, mesmo os passageiros podiam dizer que havia mais ali do que era mostrado, essa é a presença de Melanie. As duas únicas personagens que me conquistaram de verdade ao longo da série foram a Ruth Wardell (Alison Wright), que segue um papel muito parecido pelo interpretado pela Tilda Swinton na versão do filme de 2013, entretanto com uma comicidade de ser leal demais a alguém que não existe (Sr. Wilford) e a assassina Lilah Folger, ambas as atrizes tiveram um material muito melhor que o resto do elenco com o que trabalhar e não perderam tempo, arrasaram.
Em suma, O expresso do amanhã é uma série que prometeu muito, cumpriu pouco. O season finale é espetacular, o começo lindo, do episódio oito ao dez, sem palavras! Mas o que dizer de uma série que de dez episódios apenas quatro são aproveitáveis? Um bom adjetivo é xoxo, sem graça. Talvez se fosse mais compacta traria mais movimento aos seus personagens e prenderia mais a atenção do telespectador.
O jeito é torcermos para que os roteiristas tenham absorvido os erros cometidos nessa temporada para fazerem melhor na próxima, gancho é o que não falta levando em consideração os fatos ocorridos no décimo e último episódio.
A segunda temporada já está confirmada. O expresso do amanhã é uma série de parceria entre a TNT e a Netflix, disponibilizada pela Netflix.
Arrasou
ResponderExcluirObrigado pelo apoio! ss22
ExcluirMais uma vez ..certeiro em tudo...a serie começa norma...kkk...e a alusao aos quadrinhos ao final da primeira temporada foi uma sacada genial....serie que promete muuuito...que venha a 2°temporada
ResponderExcluirExatamente! Apesar de ter ficado morna, quase gelada a temporada inteira, o final teve um bom reviravolta! Estou ansioso pela segunda temporada!
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