Primeiras impressões - Estreia 5ª temporada de The Marvelous Mrs. Maisel

  Dia 14 de Abril, estreou a quinta e última temporada de The Marvelous Mrs. Maisel e o prime video liberou três episódios. Após uma conversa franca com Lenny Bruce (Luke Kirby) no fim da temporada passada, Midge ( Rachel Brosnahan) é obrigada a encarar os fatos, entretanto é tarde demais para voltar atrás e abrir o show de Tony Bennet. Esse é o ponto em que ela percebe que precisa voltar a se mover se realmente deseja prosseguir e ser bem sucedida em sua carreira como comediante. A temporada já começa com uma cena de 1981, de uma garota em uma espécie de terapia, essa garota o roteiro não deixa claro quem é, mas tudo indica ser a filha de Midge porque no segundo episódio vemos uma espécie de documentário onde essa mesma garota ou uma muito parecida com ela está dando entrevista sobre como é ser a filha de Midge Maisel. Eu acho que essas cenas do futuro são muito boas e dá até um aperto no coração de saber que o roteiro está fazendo isso propositalmente para conseguir encerrar ...

Análise completa e motivos para assistir Pequenos incêndios por toda parte

  

Inspirada no livro homônimo de Celeste Ng, verdadeiro Bestseller lançado em Setembro de 2017, a história que é ambientada nos anos 80-90 em Shaker Heights, Ohio, nos traz dois polos maternos diferentes.

De um lado temos Elena Richardson (Reese Witherspoon - Big Little Lies, Legalmente Loira), uma jornalista bem de vida, com quatro filhos, um marido incrível e uma casa gigantesca, aparentemente com a vida perfeita. Do outro temos Mia Warren (Kerry Washington - Scandal, Django Livre), uma mãe solteira, artista que aparentemente vive uma vida free Spirit ao lado de sua filha adolescente Pearl (Lexi Underwood) se mudando de cidade a cidade sempre que lhe dá na telha.

O contraste de personalidade dessas duas mulheres se torna nítido logo no começo do primeiro episódio. Ao ajudar Mia alugando uma de suas propriedades, Elena nem imagina que sua vida está prestes a virar de ponta cabeça. Com pontos de vistas fortes e maneiras de criar seus filhos diferentes, a faísca começa nesse ponto. Para muita gente essa é uma história que se baseia em preconceitos, em desigualdade social, essas pessoas não estão completamente erradas, contudo o ponto forte dessa minissérie, a base nuclear de tudo está na mais natural de todas as coisas, a maternidade.

O tempo todo o mesmo questionamento, o que é ser uma mãe? Ser uma mãe é aquela que cria, é aquela que dá amor, sustento, ser mãe é realmente aquela que pare?

Nos pontos de racismo a série é sutil, sutil da mesma forma que é o racismo moldado, aquele que as pessoas não ofendem verbalmente umas as outras, mas sim moralmente, estruturalmente, momentos como quando a filha de Mia chega na residência dos Richardsons e é recepcionada de  braços abertos por Elena que faz questão de Pearl conversar com o namorado negro de sua filha mais velha pelo fato de “terem muito em comum”, ou até mesmo no episódio que mais me chamou a atenção, o episódio que se chama Setenta centavos (terceiro episódio), onde a premissa é exatamente a falta que setenta centavos faz na vida de duas pessoas com realidades opostas, uma é Izzie Richardson(Megan Tott), filha mais nova e conflituosa de Elena e a outra é Bebe Show (Huang Lu), uma mulher pobre e imigrante ilegal chinesa, ambas passam pela mesma situação, a falta dos centavos, entretanto para uma os setenta centavos custa-lhe a tutela de sua filha, para a outra simplesmente não fazem diferença quando o motorista de ônibus a deixa entrar sem cobrar o restante, ou seja, a passabilidade branca está em pauta, muita coisa está em pauta.

São nesses pequenos detalhes e minúcias que  a série acerta em cheio e fazem de Pequenos incêndios por toda parte uma deliciosa, inteligente e instigante história de ser assistida.  

O roteiro é muito bem construído do começo ao fim, a história tem um ritmo contínuo e nada fica em aberto. A fotografia da série é solar, uma estratégia para que não esqueçamos do elemento proeminente em questão, o fogo. A direção e produção são impecáveis no sentido de nos deixarem tensos e ávidos para ver qual será o próximo ponto de discordância entre as protagonistas e o mais importante, as conseqüências dessas discordâncias.

As atuações estão incríveis como não poderia ser diferente e as atrizes principais além de protagonizarem a história também entraram como produtoras executivas do projeto.

Até o momento não foi confirmada uma segunda temporada e nem precisa, o final termina assim como começa, ainda com questionamentos sobre maternidade, ainda com falhas e faltas de suas personagens femininas, é cíclico, pois mesmo com todas as diferença, só existe uma maneira de ser mãe, sendo mãe.

Requerendo perspicácia e sensibilidade por parte dos telespectadores (internautas) e com muitos tópicos relevantes, profundos e reflexivos, Pequenos incêndios por toda parte se consagra como uma das melhores séries de 2020.

A série é original Hulu, porém disponibilizada pela Prime Video no Brasil.

Comentários

  1. Amei sua análise. ..suspeita para falar, fãzoca ,já que vc domina muito mais esta área da TV e Cinema! Já está na lista!Aguardando tbem,algumas dicas de filmes e séries em família!Sucesso susesso 💗

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  2. Me senti previlegiada em termos discutido ...brigado..kkk...pois é isso mesmo que a serie mostra...dois lados da mesma moeda...e sempre a pergunta que nao quer calar....O que é ser mae???? Parabens pelo texto...

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    1. Muito obrigado pelo apoio, está sendo muito importante para mim! Bjs... ss22

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